Subsidiariedade: coautoria na
mudança
A subsidiariedade (princípio pelo
qual uma esfera de organização econômica, social ou política não deve sobrepor
ou substituir uma esfera inferior, mas antes garantir e apoiar sua autonomia)
aponta para uma maior responsabilização do sujeito por sua própria condição. Se
por um lado isto colabora para atribuir-lhe um papel ativo, protagonista, em
sua própria história, torna necessário também reconhecer as estruturas injustas
que colaboraram para tal situação. Sem essa perspectiva, corre-se o risco de
não levar em conta os agentes por trás destas estruturas. Tendo isso em vista,
a subsidiariedade não busca impor aos menos favorecidos a total
responsabilidade pela mudança de suas condições de vida, negando suas causas
últimas, como mesmo exige tal análise de pano de fundo para ser bem
direcionada.
Dito isto, a meu ver a
contribuição fundamental da subsidiariedade está no como estruturar o processo
de mudança, na definição de papeis. Trata-se de reconhecer que somente dando a
todos a oportunidade de se expressarem, organizarem e construírem em conjunto
será possível encontrar soluções aderentes a realidade. Reconhecer que não
funcionarão propostas de cima para baixo, planos de gabinete, propostas que não
coloquem os envolvidos como sujeitos ativos. Antes, é preciso compreender que
uma parte fundamental do processo de exclusão consiste justamente na negação da
participação nas esferas decisórias, na manutenção do papel passivo, na negação
da capacidade e autonomia do outro, na desconstrução das organizações da
sociedade civil.
É preciso reconhecer que todo
processo de mudança e transformação social é essencialmente pedagógico e
comunitário, exigindo do princípio ao fim respeito a autonomia das pessoa e
suas organizações sob pena de negar-se a si mesmo e não atingir os fins
idealizados. Como diz Paulo Freire em Pedagoia da Autonomia:
“O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. [...] . O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.”
O princípio da subsidiariedade é uma construção, é percorrer um caminho! Muito boa sua reflexão, Rodrigo! Acho que há muita razão quando diz "estruturar o processo de mudança, definição de papéis". A subsidiariedade permite uma lógica na elaboração de políticas públicas ou direito fundamentais diferente da que estamos acostumados. Boa reflexão!
ResponderExcluirmuito bom Rodrigo. amanhã prosseguiremos com este tema desenvolvido pela Thais entrando na questão da federação e do município. abraços
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