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Apresentação

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terça-feira, 7 de junho de 2016

A faca indispensável da política

Uma reflexão de Rodrigo Rosa, a partir do testemunho do Marco Aurélio Souza:


O depoimento apresentado por Marco Aurélio trouxe algumas colocações fundamentais para pensar a construção da ação política e social no mundo concreto: a ideia de que a política partidária é indispensável para a construção do bem comum e de que essa pode ser utilizada para o bem ou para o mal.

Prescindir da participação em partidos é recusar o papel principal na determinação das políticas públicas, é permanecer na dependência de exercer influência, nem sempre certa ou decisiva, sobre aquele que detém o poder de fato. É nesse sentido que retomo o argumento colocado de que não há política sem partidos e que estar fora de partidos é estar fora do jogo. Embora num sentido amplo toda e qualquer forma de discussão e participação possa de alguma forma colaborar e influenciar o mundo político, somente se pode disputar um campeonato tendo um time, e queira-se um time competitivo e coeso, se há de se buscar a vitória. É preciso entrar em campo, vestir a camisa, correr os riscos de vencer ou perder. Do contrário, seremos sempre a torcida, jamais o artilheiro que decide o penalti.

Marcou-me ainda especialmente a colocação de que a política seria uma faca que poderia ser utilizada para cortar os alimentos e partilhá-los, ou ser usada para matar o outro com sua ponta. Há projetos políticos inclusivos e excludentes. Há a legítima busca do bem comum como há a mais pura defesa de interesses particulares. Mas como disse ainda Marco Aurélio: somos chamados a ser como o garimpeiro que entra na lama para encontrar o outro, não como os porcos que vivem nela.

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