O depoimento apresentado por Marco Aurélio
trouxe algumas colocações fundamentais para pensar a construção da ação
política e social no mundo concreto: a ideia de que a política partidária é
indispensável para a construção do bem comum e de que essa pode ser utilizada
para o bem ou para o mal.
Prescindir da participação em partidos é
recusar o papel principal na determinação das políticas públicas, é permanecer
na dependência de exercer influência, nem sempre certa ou decisiva, sobre
aquele que detém o poder de fato. É nesse sentido que retomo o argumento
colocado de que não há política sem partidos e que estar fora de partidos é
estar fora do jogo. Embora num sentido amplo toda e qualquer forma de discussão
e participação possa de alguma forma colaborar e influenciar o mundo político,
somente se pode disputar um campeonato tendo um time, e queira-se um time
competitivo e coeso, se há de se buscar a vitória. É preciso entrar em campo,
vestir a camisa, correr os riscos de vencer ou perder. Do contrário, seremos
sempre a torcida, jamais o artilheiro que decide o penalti.
Marcou-me ainda
especialmente a colocação de que a política seria uma faca que poderia ser
utilizada para cortar os alimentos e partilhá-los, ou ser usada para matar o
outro com sua ponta. Há projetos políticos inclusivos e excludentes. Há a
legítima busca do bem comum como há a mais pura defesa de interesses
particulares. Mas como disse ainda Marco Aurélio: somos chamados a ser como o
garimpeiro que entra na lama para encontrar o outro, não como os porcos que
vivem nela.